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“Spreads” vão estabilizar em níveis superiores aos dos anos anteriores

Os “spreads” na concessão de crédito, devido à crise financeira e económica, devem estabilizar em níveis superiores aos de anos anteriores.

A constatação é do Banco de Portugal, que no Relatório Anual de 2008, adianta “dado o agravamento da situação económica e financeira e o consequente aumento do risco de crédito, será de esperar uma estabilização destes ‘spreads’ a níveis superiores aos observados em anos recentes”.

A comprovar esta expectativa, o Banco de Portugal adianta que “a informação mais recente relativa aos spreads de taxa de juro nas novas operações de empréstimos a particulares para aquisição de habitação parece confirmar esta alteração”.

Encargos com a habitação devem estabilizar nos próximos meses

A descida das taxas de juro que deverá ocorrer hoje terá um impacto limitado para as famílias e empresas.

As taxas Euribor, os indexantes mais recorrentes nos empréstimos, devem reajustar à taxa de referência do Banco Central Europeu (BCE), mas como já se encontram muito próximo desse nível, as próximas revisões dos contratos de crédito deverão ditar uma estabilização no valor das prestações com o crédito à habitação. O mesmo deverá acontecer com as remunerações dos depósitos.

Taxas de juro implícitas nos empréstimos à habitação em queda há três meses

As taxas de juro implícitas no crédito à habitação desceram, em Março, pelo terceiro mês consecutivo, a reflectir as descidas das taxas Euribor nos mercados internacionais.

“A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação atingiu o valor médio de 4,749% em Março, o que representou uma diminuição mensal de 0,566 pontos percentuais (redução de 0,493 pontos percentuais em Fevereiro), situando-se em nível próximo ao de Janeiro de 2007”, revelou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A contribuir para esta evolução esteve o conjunto dos contratos. Os contratos celebrados nos últimos três meses registaram uma descida média de 0,857 p.p. para 4,306%, os celebrados nos últimos seis meses diminuíram 0,704 p.p. para 4,443%, e os celebrados nos últimos 12 meses recuaram 0,631 p.p. 4,389%.

As maiores descidas foram verificadas nos contratos realizados nos últimos três meses, um factor justificado pela evolução das taxas de juro de referência (Euribor). Estes indexantes estão a descer desde meados de Outubro, mas o seu efeito só foi sentido pelas famílias com crédito à habitação a partir de Novembro, tendo desde então voltado a descer.

Risco de crédito

O Banco Central Europeu pode baixar as taxas de juro directoras da Zona Euro para menos de 1%. A Euribor, a taxa de juro cobrada pelos bancos pelo dinheiro que emprestam entre si, deve acompanhar essa tendência. Mas os portugueses endividados não vão beneficiar totalmente com os saldos do dinheiro, porque os bancos portugueses serão obrigados a pagar um maior prémio de risco pelo crédito que vão buscar aos mercados internacionais para emprestar às famílias e empresas portuguesas.

Taxa de juro para habitação em queda

SEGUNDO MÊS CONSECUTIVO

A taxa de juro implícita nos contratos de crédito à habitação acentuou em Fevereiro a tendência de queda, pelo segundo mês consecutivo, recuando para os 5,315 por cento, menos 0,493 por cento do que em Janeiro, de acordo os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Por sua vez, os contratos de crédito para aquisição de terreno destinado à construção de habitação sofreram uma quebra de 0,414 por cento, deslizando para os 5,285 por cento. Nos contratos para construção de habitação registou-se uma redução de 0,472 por cento, para 5,375 por cento.

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