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Empresas com crédito em vários bancos conseguem condições mais vantajosas

Quanto mais variadas forem as relações bancárias de uma empresa, mais baixos serão os custos do crédito contraído, conclui um estudo divulgado hoje pelo Banco de Portugal. A mesma fonte revela que essa relação é tão mais acentuada quanto mais competitivo for o ambiente em que os bancos operam.

Se adicionar um banco às suas relações financeiras, uma empresa pode conseguir baixar a sua taxa de juro no crédito bancário entre 9 e 20 pontos base, em média, uma “magnitude significativa tanto económica como estatisticamente”, segundo os autores do estudo que ressalvam o facto deste efeito não existir quando se tratam de micro ou novas empresas.

Linhas de apoio ao crédito comercial para empresas lançadas hoje

PRIMEIRA TRANCHE DE DOIS MIL MILHÕES

As linhas de apoio aos mecanismos de seguro de crédito, com o objectivo de dinamizar a actividade económica e as exportações, foram lançadas hoje. O protocolo de dois mil milhões de euros, assinado entre o Governo e cinco seguradoras no âmbito do novo regime de seguro de crédito, é a primeira tranche de um total de quatro mil milhões.

“As linhas apresentadas são uma iniciativa do Governo, que tem estado em contacto com as várias seguradoras que actuam nesta área, resultando da definição deste pacote um apoio ao crédito comercial das empresas no valor global de dois mil milhões de euros”, salientam em comunicado conjunto o Ministério das Finanças e da Administração Pública e o Ministério da Economia e Inovação.

O novo regime de seguro de crédito – que prevê uma alavancagem dos “plafonds” do seguro de crédito pelas cinco seguradoras a operar no mercado nacional – tem como objectivo reforçar esses “plafonds” actualmente existentes, face à situação financeira internacional, e alargar a capacidade das empresas portuguesas para fora dos mercados tradicionais (Europa e EUA), que apresentam as mais altas taxas de crescimento e de absorção das exportações portuguesas, refere o comunicado.

Empresas e particulares têm mais dificuldades em pagar

MALPARADO SOBE 39,8 POR CENTO

O crédito de cobrança duvidosa das famílias e das empresas atingiu o valor recorde de 5,46 mil milhões de euros no passado mês de Outubro. Uma subida de 39,8 por cento face a igual período do ano anterior que mostra como famílias e empresas têm cada vez mais dificuldade em pagar as dívidas.

Em Outubro último o crédito malparado das famílias ascendia aos 2,93 mil milhões de euros – o valor mais alto de sempre – o que representa um aumento de 31 por cento face a igual mês do ano anterior, de acordo com os dados constantes no Boletim Estatístico do Banco de Portugal ontem divulgado. O malparado das famílias tem agora um peso de 2,2 por cento no total de empréstimos concedidos. Do lado das empresas, a subida na cobrança duvidosa foi de 50 por cento, ou 845 milhões de euros, no espaço de um ano, fixando-se nos 2,5 mil milhões de euros.

No mesmo período a concessão de empréstimos às empresas aumentou 11%, para os 110,75 mil milhões de euros, enquanto no caso das famílias a subida foi de 5,9 por cento, para 132, 48 mil milhões de euros.

No crédito à habitação o malparado também atingiu um recorde, ao ascender a 1,56 mil milhões de euros. O crescimento foi de 25,3 por cento face a Outubro de 2007.

Ainda assim, esta subida não se compara com a verificada no crédito ao consumo, onde o crédito malparado disparou 75 por cento, alcançando os 755 milhões de euros.

“Não são valores que surpreendam no cenário actual de crise. E se as condições no mercado de trabalho não melhorarem, as condições de risco de agravamento da situação também serão superiores”, declarou ao Correio da Manhã Catarina Frade, do Observatório do Endividamento.

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