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BCE pode manter juros baixos por mais tempo do que esperado

O Banco Central Europeu (BCE) pode manter os custos de crédito baixos durante mais tempo do que é estimado pelos economistas porque os bancos não estão a emprestar dinheiro, segundo disse o Grupo Jefferies, à Bloomberg.

O “Quadro do Dia”, da agência noticiosa norte-americana mostra que o nível de empréstimos concedidos na Europa se encontra em mínimos desde, pelo menos, 1999. O mesmo quadro indica que o BCE poderá manter as taxas de juro em mínimos, até ao segundo trimestre de 2011, segundo o economista-chefe do Jefferies Group para a Europa, David Owen disse à Bloomberg.

As previsões de 28 economistas inquiridos pela Bloomberg, apontam para um subida dos juros no último trimestre de 2010. Uma perspectiva que não é partilhada por Owen.

“Spreads” vão estabilizar em níveis superiores aos dos anos anteriores

Os “spreads” na concessão de crédito, devido à crise financeira e económica, devem estabilizar em níveis superiores aos de anos anteriores.

A constatação é do Banco de Portugal, que no Relatório Anual de 2008, adianta “dado o agravamento da situação económica e financeira e o consequente aumento do risco de crédito, será de esperar uma estabilização destes ‘spreads’ a níveis superiores aos observados em anos recentes”.

A comprovar esta expectativa, o Banco de Portugal adianta que “a informação mais recente relativa aos spreads de taxa de juro nas novas operações de empréstimos a particulares para aquisição de habitação parece confirmar esta alteração”.

Crédito malparado dispara

Os tempos são de crise, mas nem isso impede os portugueses de irem às compras e pagar a crédito. Os problemas vêm depois. Segundo dados ontem revelados pelo Banco de Portugal, que se estendem até Janeiro de 2009, o crédito malparado no consumo supera os 5% do total de empréstimos concedidos. São 788 milhões de euros que os portugueses não pagaram aos bancos. Feitas as contas, em cada cem euros emprestados cinco ficam por pagar.

Apesar de a situação ser mais grave nos empréstimos para o consumo, na habitação a tendência continua a não ser positiva. Há 1,6 mil milhões de euros por pagar no empréstimo para a casa que os portugueses contraem junto das instituições bancárias, o que totaliza 1,5 por cento do crédito concedido. Excluindo os valores de Novembro do ano passado, trata-se do nível mais elevado desde o mês homólogo de 2004. O total do malparado dos dois tipos de empréstimo, habitação e consumo, ascende a quase três mil milhões de euros, o que significa que os calotes estão agora em níveis recorde.

Portugueses gastaram menos 56 milhões este Natal

Os sinais da crise chegam de todo o lado. E as compras de Natal com recurso aos cartões de crédito e débito confirmam que os portugueses têm menos dinheiro disponível para gastar. Nas primeiras três semanas de Dezembro foram levantados nas caixas multibanco de todo o País 1.668 milhões de euros. Menos 1% – ou 17,6 milhões de euros – do que no mesmo período de 2007, altura em que esse valor ultrapassou 1.685 milhões de euros.

De acordo com as estatísticas da SIBS – Sociedade Interbancária de Serviços, entre os dias 1 e 21 de Dezembro também o montante das compras efectuadas através de terminais de pagamento automático caiu 2%. O valor destas operações diminuiu de 1.903 milhões de euros, há um ano, para 1.864 milhões, agora, correspondendo a uma redução de 39 milhões de euros.

Desta forma, no total, os portugueses compraram e levantaram com cartão menos 56 milhões de euros em Dezembro deste ano do que no Natal de 2007.

O número de levantamentos na rede de caixas automáticas caiu também, nestas três semanas, 1% relativamente ao mesmo período do ano passado, de quase 25 para 24,8 milhões de operações. O valor médio por cada levantamento manteve-se inalterado, em 67 euros.

Por seu lado, em termos acumulados, o número de compras em terminais de pagamento aumentou 3% este mês, de 40,2 para 41,3 milhões de transacções. Tendo em conta que foram realizadas mais operações, mas em menor montante, o valor médio das compras com cartão diminuiu de 47 para 45 euros num ano.

No total dos levantamentos e pagamentos, o número de operações somou, nestas três semanas, 66,2 milhões, no valor de 3.532 milhões de euros, o que significa um aumento do número de transacções de 2%, mas uma diminuição, também de 2%, em termos de valor.

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