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BPN vai encerrar operações de crédito no Brasil

O Banco Português de Negócios (BPN) vai encerrar as operações de crédito no Brasil, mas sem uma data para o fecho definitivo, admitiu à agência Lusa o responsável pela instituição.

Desde 01 de Janeiro a Creditus, promotora de crédito controlada pelo BPN, “não mais está a desenvolver novos negócios na área de crédito ao consumo“, disse em comunicado à Lusa o presidente do BPN no Brasil, Carlos Catraio, responsável pelas operações.

“No entanto, como ainda estamos honrando contratos assinados com redes de retalho (supermercados, lojas electrodomésticos, materiais de construção, etc.) a referida promotora segue produzindo para outros bancos. Porém, em volume muito modesto quando comparado ao verificado no passado”, referiu.

Portugueses gastaram menos 56 milhões este Natal

Os sinais da crise chegam de todo o lado. E as compras de Natal com recurso aos cartões de crédito e débito confirmam que os portugueses têm menos dinheiro disponível para gastar. Nas primeiras três semanas de Dezembro foram levantados nas caixas multibanco de todo o País 1.668 milhões de euros. Menos 1% – ou 17,6 milhões de euros – do que no mesmo período de 2007, altura em que esse valor ultrapassou 1.685 milhões de euros.

De acordo com as estatísticas da SIBS – Sociedade Interbancária de Serviços, entre os dias 1 e 21 de Dezembro também o montante das compras efectuadas através de terminais de pagamento automático caiu 2%. O valor destas operações diminuiu de 1.903 milhões de euros, há um ano, para 1.864 milhões, agora, correspondendo a uma redução de 39 milhões de euros.

Desta forma, no total, os portugueses compraram e levantaram com cartão menos 56 milhões de euros em Dezembro deste ano do que no Natal de 2007.

O número de levantamentos na rede de caixas automáticas caiu também, nestas três semanas, 1% relativamente ao mesmo período do ano passado, de quase 25 para 24,8 milhões de operações. O valor médio por cada levantamento manteve-se inalterado, em 67 euros.

Por seu lado, em termos acumulados, o número de compras em terminais de pagamento aumentou 3% este mês, de 40,2 para 41,3 milhões de transacções. Tendo em conta que foram realizadas mais operações, mas em menor montante, o valor médio das compras com cartão diminuiu de 47 para 45 euros num ano.

No total dos levantamentos e pagamentos, o número de operações somou, nestas três semanas, 66,2 milhões, no valor de 3.532 milhões de euros, o que significa um aumento do número de transacções de 2%, mas uma diminuição, também de 2%, em termos de valor.

Empresas e particulares têm mais dificuldades em pagar

MALPARADO SOBE 39,8 POR CENTO

O crédito de cobrança duvidosa das famílias e das empresas atingiu o valor recorde de 5,46 mil milhões de euros no passado mês de Outubro. Uma subida de 39,8 por cento face a igual período do ano anterior que mostra como famílias e empresas têm cada vez mais dificuldade em pagar as dívidas.

Em Outubro último o crédito malparado das famílias ascendia aos 2,93 mil milhões de euros – o valor mais alto de sempre – o que representa um aumento de 31 por cento face a igual mês do ano anterior, de acordo com os dados constantes no Boletim Estatístico do Banco de Portugal ontem divulgado. O malparado das famílias tem agora um peso de 2,2 por cento no total de empréstimos concedidos. Do lado das empresas, a subida na cobrança duvidosa foi de 50 por cento, ou 845 milhões de euros, no espaço de um ano, fixando-se nos 2,5 mil milhões de euros.

No mesmo período a concessão de empréstimos às empresas aumentou 11%, para os 110,75 mil milhões de euros, enquanto no caso das famílias a subida foi de 5,9 por cento, para 132, 48 mil milhões de euros.

No crédito à habitação o malparado também atingiu um recorde, ao ascender a 1,56 mil milhões de euros. O crescimento foi de 25,3 por cento face a Outubro de 2007.

Ainda assim, esta subida não se compara com a verificada no crédito ao consumo, onde o crédito malparado disparou 75 por cento, alcançando os 755 milhões de euros.

“Não são valores que surpreendam no cenário actual de crise. E se as condições no mercado de trabalho não melhorarem, as condições de risco de agravamento da situação também serão superiores”, declarou ao Correio da Manhã Catarina Frade, do Observatório do Endividamento.

Crédito ao consumo e publicidade camuflada

Hoje em dia, somos diariamente bombardeados com publicidade acerca de créditos. Mas, muitas vezes, esta publicidade torna-se tão aliciante que nos leva imediatamente a efectuar o nosso pedido. Este facto tem contribuído para o sobreendividamento dos portugueses.

Na publicidade ao crédito, alguns detalhes encontram-se muitas vezes camuflados. Tenta-se destacar a facilidade e os preços baixos, escondendo a realidade do custo total do empréstimo.

Várias instituições bancárias demonstraram mesmo irregularidades na aplicação das taxas, praticando valores não permitidos por lei em território nacional.

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