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Crédito malparado atinge máximos de 1998

O crédito malparado continua a aumentar em Portugal. Em Julho atingiu máximos do final da década de 90, com o incumprimento no crédito à habitação em níveis recorde, revelando a incapacidade das famílias em suportar os custos com os imóveis. Ao mesmo tempo, a concessão de crédito regista um forte abrandamento.

De acordo com os dados do Boletim Estatístico hoje divulgados pelo Banco de Portugal, as famílias portuguesas deviam, em Julho, um total de 3,6 mil milhões de euros à banca, o que representa 2,72% do volume de empréstimos concedidos. Ou seja, o peso do crédito malparado já supera os 2,5% e atingiu o nível mais elevado desde Outubro de 1998.

Bancos aplicam novas estratégias para captar crédito à habitação

A concorrência entre os bancos, em Portugal, é grande, especialmente no crédito à habitação. Por isso, cada um tenta conquistar o maior número de clientes recorrendo a campanhas promocionais. Primeiro foram os “spread” zero, depois vieram as transferências sem custos. E quando se pensava que estava tudo inventado, há sempre bancos que apresentam novas ofertas.

Bancos obrigados a actualizar seguros de vida na habitação

A partir de 10 de Dezembro as instituições financeiras não poderão impor aos clientes de crédito à habitação a contratação de seguros de vida através do próprio banco. E terão de fazer depender o capital seguro do montante em dívida. Ou seja, actualizar o valor do seguro consoante a amortização de capital que o cliente vai realizando.

De acordo com o Decreto-Lei nº. 222/2009 as instituições terão agora de se reger por regras mais transparentes no que respeita aos seguros de vida. Informação mais detalhada e mais transparente estão entre as exigências da nova legislação.

Mas a grande alteração é a que visa a actualização dos prémios dos seguros de vida nos contratos de crédito à habitação com o montante em dívida que os clientes têm.

Euribor registam novos mínimos históricos

As taxas Euribor, que influenciam directamente a prestação da casa e o custo de financiamento das empresas, voltaram a cair hoje em todos os prazos.

A taxa a seis meses, o principal indexante utilizado no crédito à habitação em Portugal, recuou para 1,055%, valor cada vez mais perto da taxa de juro de referência do Banco Central Europeu, que está em 1%.

No mesmo sentido encontra-se também a Euribor a três meses, a mais usada nos empréstimos concedidos às empresas, que recuou para 0,788 pontos.

Menos crédito à economia? Boa notícia…!

Os bancos concederam no primeiro semestre do ano menos 28% de crédito do que em igual período do ano passado. Ao contrário do que parece, esta é uma boa notícia. Ela significa que a banca está a adequar a sua política creditícia aos riscos da nova conjuntura económica.

E, por essa via, a salvaguardar os seus rácios de solvabilidade, algo que deve tranquilizar os cidadãos, em vez de os preocupar. Ou seja, ao contrário do que sucedia há um ano, os bancos já não têm falta de capital para emprestar (o mercado monetário interbancário e os mercados financeiros readquiriram liquidez); estão é mais cuidadosos a avaliar o risco de certas operações. De empresas e famílias.

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