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Encargo com o crédito deverá diminuir mais de 22% em 2009

Este ano será marcado por menores encargos com o crédito à habitação. Quem já tem um empréstimo verá os gastos diminuírem em mais de 22% no acumulado do ano. Para um crédito de 100 mil euros, a poupança deverá superar os dois mil euros.

Bancos voltam a agravar “spreads” no crédito

IMPACTOS DOS JUROS NA HABITAÇÃO

Com a queda das taxas Euribor e o mercado imobiliário em queda, esta é uma boa altura para comprar casa. Mas há alguns “contra”, se precisar de recorrer ao crédito. Os bancos voltaram a aumentar os “spreads” para os empréstimos à habitação. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o Banco Espírito Santo (BES) são o espelho mais recente do agravar dos custos. Depois dos “spread” zero, agora será difícil conseguir 0,5%.

Para quem já tem um empréstimo, a novidade não é preocupante, já que o “spread” foi determinado na altura da celebração do contrato. Mas para quem está a pensar comprar casa através de financiamento bancário, a descida das taxas Euribor vai ser em parte anulada por margens mais altas aplicadas pelas instituições.

Taxas Euribor mantêm queda

PELA 61ª SESSÃO CONSCUTIVA

As taxas Euribor, que servem de referência ao crédito interbancário, mantêm esta quarta-feira a tendência de queda, pela 61ª sessão consecutiva.

A Euribor a três meses desceu para 2,762 por cento, o valor mais baixo desde Abril de 2006, enquanto a taxa a seis meses, o indexante mais utilizado no crédito à habitação, recuou para os 2,845 por cento.

No que diz respeito à Euribor a 12 meses, fixou-se hoje nos 2,924 por cento.

Regras mais apertadas nos empréstimos

CRÉDITO PARA CASAS SÓ COM POUPANÇAS

Os bancos estão a apertar as regras para o acesso ao crédito à habitação, mesmo num contexto em que as taxas de juro (Euribor) continuam a baixar. E não são só os spreads que estão mais elevados, já exigem mesmo que quem queira comprar casa tenha um pé-de-meia: entre dez e 15 por cento do valor do imóvel.

Os bancos já não financiam a cem ou mesmo a 110 por cento a compra de imóveis, como acontecia nos anos 90. As precauções na concessão de crédito não são de agora, mas começaram a agravar-se no início de 2008 e foram-se acentuando ao longo do ano.

“Actualmente, já exigem um capital inicial entre dez e 15 por cento”, explicou ontem Manuel Alvarez, responsável da Remax, valores confirmados ao Correio da Manhã por outras fontes do mercado.

Além desta restrição, o Banco de Portugal enumera um vasto conjunto de meios que reflectem esse agravamento: encurtamento da maturidade dos novos contratos, a redução dos montantes concedidos e do rácio entre o valor do empréstimo e da garantia, uma maior exigência quanto às garantias solicitadas, maiores comissões e outros encargos não-relacionados com as taxas de juro e a imposição de outras condições contratuais não-pecuniárias (covenants) mais apertadas.

Encargos com o crédito à habitação caem 18% em Janeiro

PRESTAÇÕES CAEM PARA NÍVEIS DO VERÃO DE 2006

As taxas Euribor têm vindo a cair, desde Outubro, o que representa boas notícias para as famílias que têm empréstimos à habitação. Quem revir o seu crédito em Janeiro vai beneficiar de uma descida da prestação superior a 18%, o que para um empréstimo de 100 mil euros corresponde a menos 106 euros por mês. São os encargos mais baixos desde Agosto de 2006.

A Euribor a seis meses voltou a cair na última sessão do ano para os 2,971%, o que representa o valor mais baixo desde Abril de 2006. Mas os valores usados para os cálculos das prestações são as médias mensais. E no caso desta taxa, a média do mês de Dezembro (que serve de referência para as revisões de Janeiro) fixou-se nos 3,365%, o que corresponde ao nível mais baixo desde Julho de 2006.

O mesmo é dizer que quem revir o empréstimo à habitação em Janeiro vai beneficiar das descidas das Euribor e pagará a prestação mais baixa desde Agosto de 2006.

Uma família que tenha um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos, com um “spread” de 0,7% e indexado à Euribor a 6 meses pagará em Janeiro, caso a revisão aconteça neste mês, cerca de 480 euros, menos 106 euros do que estava a pagar desde Julho. Esta descida corresponde a menos 18% de encargos mensais com a habitação.

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