Portugal paga juro de 3,5% na emissão de mil milhões em obrigações

O Instituto de Gestão do Crédito colocou esta manhã uma emissão de mil milhões de euros em obrigações do tesouro a cinco anos. Os títulos irão pagar um juro de 3,498%, bem acima dos 2,759% da emissão similar realizada em Novembro. A procura quase duplicou a oferta.

De acordo com a agência Reuters, as OT foram colocadas com uma “yield” média de 3,498%. Na emissão com a mesma maturidade e dimensão, realizada em Novembro do ano passado, Portugal pagou um juro de 2,759%.

A procura atingiu 1,8 mil milhões de euros, quase duplicando a oferta de mil milhões, que assim foi toda colocada.

A diferença de quase 75 pontos base reflecte o aumento da pressão dos investidores sobre a dívida portuguesa e a situação das contas pública nacionais, penalizadas pela crise na Grécia e preocupações crescentes sobre a capacidade dos países periféricos europeus cumprirem o pagamento da dívida.

Esta é a segunda emissão de obrigações em duas semanas, um “timing” que procura aproveitar uma relativa maior acalmia nos mercados, decorrente da decisão da UE de ajudar a Grécia e de algum trabalho de explicação aos investidores sobre a efectiva situação económica e financeira nacional.

De acordo com o noticiado hoje pelo Negócios, Alberto Soares (na foto), presidente do IGCP, e os responsáveis pelo financiamento dos seis principais bancos a operar em Portugal estão hoje em Londres numa operação de charme junto de cerca de 350 investidores institucionais que participam no “Eurobond Investors Congress”, organizado pela Euromoney.

A emissão de hoje é a terceira de 2010, depois da colocação de 3.000 milhões numa nova obrigação a dez anos a 10 de Fevereiro. A primeira ida ao mercado, em Janeiro, terminou sem que o IGCP conseguisse colocar o total do volume pretendido de bilhetes do Tesouro, devido à relutância dos investidores em comprar os títulos ao juro que o Estado estava disposto a pagar.

Ao Negócios, Alberto Soares reconheceu ontem que a situação no mercado “é exigente” e que, por isso, é necessário “estar atento às janelas de oportunidade que se abram no mercado”. Foi o que diz ter acontecido com sucesso há duas semanas, onde garante que o IGCP conseguiu tirar vantagem “de alguma maior estabilidade no mercado” e é isso que espera que aconteça hoje.

PEC consensual é urgente, e Maio é o mês mais crítico

No que diz respeito a Portugal, o maior receio, de acordo com uma análise recente do Morgan Stanley, é de que algum problema de liquidez pontual leve o País a falhar os pagamentos num momento específico. Isto porque o banco de investimento considera que do ponto de vista estrutural os riscos de incumprimento são reduzidos.

Nesse sentido, o mês mais crítico será Maio, altura em que Portugal terá de se refinanciar em 4 mil milhões de dólares para pagar juros e obrigações que maturam, isto numa altura em que também outros países estarão no mercado.

Para ajudar a aliviar a pressão, será central o plano de consolidação orçamental a médio prazo que o Governo incluirá no Programa de Estabilidade e Crescimento. Além de medidas ambiciosas e credíveis, o ideal será que o plano mereça consenso social e político que permita trazer o défice para 3%, diz Alberto Soares: “Naturalmente, os mercados procurarão identificar no PEC medidas de médio prazo que sejam capazes de suportar uma estratégia de redução do défice para o nível de 3%, até 2013″.

In JornaldeNegocios.pt

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