Desempregados podem pedir moratória no crédito à habitação até ao final deste ano

O Conselho de Ministros aprovou hoje o decreto-lei que alarga até ao final deste ano o prazo para os desempregados solicitarem uma moratória no pagamento da prestação do crédito à habitação.

Tal como o Negócios ontem noticiou, o Executivo decidiu alargar esta medida, já em vigor desde o ano passado, para a totalidade deste ano.

“Com a aprovação deste Decreto-Lei pretende-se continuar a apoiar as pessoas em situação de desemprego, estendendo-se o prazo, até 31 de Dezembro 2010, para apresentação de candidaturas de acesso à linha de crédito extraordinária, através da qual o Estado financia 50% da prestação do crédito à habitação própria permanente, em situações em que o mutuário esteja em situação de desemprego há mais de três meses”, refere o comunicado do Conselho de Ministros.

Banca vai manter restrições elevadas na concessão de crédito

As condições para aceder a empréstimos foram apertadas no ano passado, muito devido à crise financeira e à recessão económica. Este ano e no próximo, apesar de se prever uma expansão da economia, o desemprego vai continuar alto e o risco elevado. Por isso, a banca deverá manter as restrições ao crédito elevadas.

Esta é a perspectiva do Banco de Portugal, divulgada no Boletim de Inverno, que prevê uma “regularização das condições de financiamento”, mas uma manutenção das restrições.

Euribor a três meses atinge novo mínimo histórico

As taxas Euribor voltaram a descer na sessão de hoje, com a taxa a três meses a atingir um mínimo histórico. Estas taxas, que são os indexantes mais usados em Portugal no crédito à habitação, continuam assim a cair num altura em que se prevê que o BCE mantenha o preço do dinheiro em 1% até ao segundo semestre do ano.

A Euribor a três meses recuou hoje para 0,691%, a taxa a seis meses cedeu para 0,986% e a Euribor a 12 meses caiu para 1,242%.

Estas taxas continuam a cair e a negociar em mínimos históricos, a reflectir o actual nível de juros praticado na Zona Euro, que se encontra igualmente no nível mais baixo de sempre, em 1%.

DECO denuncia aumento do custo das comissões para crédito pessoal

O custo das comissões cobradas pelos bancos aumentou nos últimos cinco anos, representando nalguns casos mais 72% do que em 2004, denunciou a associação de consumidores DECO na última edição da revista Dinheiro & Direitos.

O estudo indica que os valores variam muito com os bancos e com o montante e prazo do crédito pessoal. Em Setembro de 2009, as comissões médias cobradas pelo empréstimo de 2.500, 5.000 e 10.000 euros eram de 85,60, 97,73 e 157,56 euros, respectivamente.

BCE não deve mexer nas taxas de juro

O FMI concorda com a estratégia que tem sido seguida pelo Banco Central Europeu (BCE) e com os sinais de que não tenciona mexer nas taxas de juro. Não é tempo de encarecer o crédito, frisa o economista-chefe da instituição para a Europa, até porque no horizonte não há nada que possa ser interpretado como uma ameaça à estabilidade dos preços.

Na gestão da política monetária, BCE “tem sido prudente, como sempre. Não tem sinalizado que irá retirar em breve flexibilidade à sua política monetária, e é assim que deve ser”, diz Marek Belka, referindo-se às taxas de juro de referências, que estão, desde Maio, fixadas no mínimo histórico de 1%.