Taxas Euribor mantêm queda

PELA 61ª SESSÃO CONSCUTIVA

As taxas Euribor, que servem de referência ao crédito interbancário, mantêm esta quarta-feira a tendência de queda, pela 61ª sessão consecutiva.

A Euribor a três meses desceu para 2,762 por cento, o valor mais baixo desde Abril de 2006, enquanto a taxa a seis meses, o indexante mais utilizado no crédito à habitação, recuou para os 2,845 por cento.

No que diz respeito à Euribor a 12 meses, fixou-se hoje nos 2,924 por cento.

Regras mais apertadas nos empréstimos

CRÉDITO PARA CASAS SÓ COM POUPANÇAS

Os bancos estão a apertar as regras para o acesso ao crédito à habitação, mesmo num contexto em que as taxas de juro (Euribor) continuam a baixar. E não são só os spreads que estão mais elevados, já exigem mesmo que quem queira comprar casa tenha um pé-de-meia: entre dez e 15 por cento do valor do imóvel.

Os bancos já não financiam a cem ou mesmo a 110 por cento a compra de imóveis, como acontecia nos anos 90. As precauções na concessão de crédito não são de agora, mas começaram a agravar-se no início de 2008 e foram-se acentuando ao longo do ano.

“Actualmente, já exigem um capital inicial entre dez e 15 por cento”, explicou ontem Manuel Alvarez, responsável da Remax, valores confirmados ao Correio da Manhã por outras fontes do mercado.

Além desta restrição, o Banco de Portugal enumera um vasto conjunto de meios que reflectem esse agravamento: encurtamento da maturidade dos novos contratos, a redução dos montantes concedidos e do rácio entre o valor do empréstimo e da garantia, uma maior exigência quanto às garantias solicitadas, maiores comissões e outros encargos não-relacionados com as taxas de juro e a imposição de outras condições contratuais não-pecuniárias (covenants) mais apertadas.

Microcrédito

O microcrédito é considerado um meio poderoso no combate à pobreza e à desigualdade social.

O microcrédito é um pequeno empréstimo bancário destinado a pessoas que não reunem condições para acesso crédito tradicional, mas querem desenvolver uma actividade económica por conta própria. Para isso têm de reunir condições e capacidades pessoais, que antecipem o êxito da iniciativa que pretendem tomar.

Encargos com o crédito à habitação caem 18% em Janeiro

PRESTAÇÕES CAEM PARA NÍVEIS DO VERÃO DE 2006

As taxas Euribor têm vindo a cair, desde Outubro, o que representa boas notícias para as famílias que têm empréstimos à habitação. Quem revir o seu crédito em Janeiro vai beneficiar de uma descida da prestação superior a 18%, o que para um empréstimo de 100 mil euros corresponde a menos 106 euros por mês. São os encargos mais baixos desde Agosto de 2006.

A Euribor a seis meses voltou a cair na última sessão do ano para os 2,971%, o que representa o valor mais baixo desde Abril de 2006. Mas os valores usados para os cálculos das prestações são as médias mensais. E no caso desta taxa, a média do mês de Dezembro (que serve de referência para as revisões de Janeiro) fixou-se nos 3,365%, o que corresponde ao nível mais baixo desde Julho de 2006.

O mesmo é dizer que quem revir o empréstimo à habitação em Janeiro vai beneficiar das descidas das Euribor e pagará a prestação mais baixa desde Agosto de 2006.

Uma família que tenha um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos, com um “spread” de 0,7% e indexado à Euribor a 6 meses pagará em Janeiro, caso a revisão aconteça neste mês, cerca de 480 euros, menos 106 euros do que estava a pagar desde Julho. Esta descida corresponde a menos 18% de encargos mensais com a habitação.

Aforristas recebem cada vez menos

CERTIFICADOS CAEM COM A EURIBOR

As taxas Euribor estão em queda há 55 dias consecutivos. A descida do principal indexante utilizado pelos bancos para o crédito à habitação é uma boa notícia para as famílias com um empréstimo bancário para pagar a casa mas também significa uma redução dos juros nos certificados de aforro, que caíram quase para metade em apenas três meses.

Vários produtos de poupança como os depósitos e os certificados de aforro utilizam como indexante o valor das taxas Euribor o que tem significado uma descida na rentabilidade, depois de máximos históricos atingidos pelas taxas em Outubro.

Segundo dados do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, os certificados de aforro proporcionavam juros recorde de 4,01%. Mantendo-se a tendência de queda das taxas, no primeiro mês de Janeiro, segundo os cálculos do ‘Jornal de Negócios’, a redução será de 158 pontos base. O que significa que os aforristas terão de fazer as contas do que irão receber com uma taxa de juro nos 2,42%: um novo mínimo. Com uma taxa tão diminuta é possível que as aplicações nos certificados de aforro não gerem retorno, dado que as previsões do Governo para a taxa de inflação de 2009 se fixe exactamente nos 2,5%.

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