Menos crédito à economia? Boa notícia…!

Os bancos concederam no primeiro semestre do ano menos 28% de crédito do que em igual período do ano passado. Ao contrário do que parece, esta é uma boa notícia. Ela significa que a banca está a adequar a sua política creditícia aos riscos da nova conjuntura económica.

E, por essa via, a salvaguardar os seus rácios de solvabilidade, algo que deve tranquilizar os cidadãos, em vez de os preocupar. Ou seja, ao contrário do que sucedia há um ano, os bancos já não têm falta de capital para emprestar (o mercado monetário interbancário e os mercados financeiros readquiriram liquidez); estão é mais cuidadosos a avaliar o risco de certas operações. De empresas e famílias.

É claro que nas próximas semanas o tema deverá ser glosado por dirigentes empresariais e políticos (sobretudo estes, à conta das eleições que se avizinham…), mortinhos por fazerem da banca o seu “punching bag”. Porquê? Porque dá jeito associar os cortes no crédito às empresas à aceleração das falências e, por essa via, ao aumento do desemprego.

O problema é que os grandes cortes no primeiro semestre aconteceram no crédito à habitação (menos 45%), e não no crédito às empresas. Além de que o crédito à habitação vale apenas 13,5% do crédito total (o restante, 74%, vai para o sector empresarial).

Vamos ver se os “suspeitos do costume” olham para estes números antes de fazerem demagogia. Empresários incluídos. Já vai sendo tempo de perceberem que não há economias prósperas sem bancos sólidos.

In JornaldeNegocios.pt

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