Empresas e particulares têm mais dificuldades em pagar
MALPARADO SOBE 39,8 POR CENTO
O crédito de cobrança duvidosa das famílias e das empresas atingiu o valor recorde de 5,46 mil milhões de euros no passado mês de Outubro. Uma subida de 39,8 por cento face a igual período do ano anterior que mostra como famílias e empresas têm cada vez mais dificuldade em pagar as dívidas.
Em Outubro último o crédito malparado das famílias ascendia aos 2,93 mil milhões de euros – o valor mais alto de sempre – o que representa um aumento de 31 por cento face a igual mês do ano anterior, de acordo com os dados constantes no Boletim Estatístico do Banco de Portugal ontem divulgado. O malparado das famílias tem agora um peso de 2,2 por cento no total de empréstimos concedidos. Do lado das empresas, a subida na cobrança duvidosa foi de 50 por cento, ou 845 milhões de euros, no espaço de um ano, fixando-se nos 2,5 mil milhões de euros.
No mesmo período a concessão de empréstimos às empresas aumentou 11%, para os 110,75 mil milhões de euros, enquanto no caso das famílias a subida foi de 5,9 por cento, para 132, 48 mil milhões de euros.
No crédito à habitação o malparado também atingiu um recorde, ao ascender a 1,56 mil milhões de euros. O crescimento foi de 25,3 por cento face a Outubro de 2007.
Ainda assim, esta subida não se compara com a verificada no crédito ao consumo, onde o crédito malparado disparou 75 por cento, alcançando os 755 milhões de euros.
“Não são valores que surpreendam no cenário actual de crise. E se as condições no mercado de trabalho não melhorarem, as condições de risco de agravamento da situação também serão superiores”, declarou ao Correio da Manhã Catarina Frade, do Observatório do Endividamento.
PORTUGUESES DEPOSITAM 111,9 MIL MILHÕES
Os depósitos das famílias nos bancos aumentaram mais de dois mil milhões de euros em Outubro quando comparados com o mês anterior, fixando-se nos 111,9 mil milhões de euros, o que corresponde ao valor mais elevado de sempre.
Quando comparado com igual período do ano passado, o aumento do volume depositado pelas famílias cresceu 14,53%. Esta evolução mostra que as famílias estão mais cautelosas com a aplicação das suas poupanças tendo em conta a crise financeira e reflecte a fuga ao risco por parte dos investidores em consequência das elevadas perdas registadas nos mercados bolsistas.
APONTAMENTOS
79,1 POR CENTO
O peso do crédito à habitação no montante total de empréstimos concedidos está já nos 79,1%, tendo atingido os 104,8 mil milhões de euros em Outubro último.
INVESTIMENTO CAI
O investimento directo estrangeiro em Portugal recuou 23% nos dez primeiros meses do ano para 3,14 mil milhões de euros, contra os 4,08 mil milhões atraídos em igual período do ano passado.
DÉFICE AGRAVA-SE
O défice provisório da Balança Corrente de Portugal, entre Janeiro e Outubro de 2008, atingiu os 15,96 milhões de euros, agravando-se 35% face ao défice de igual período de 2007, segundo os dados do Banco de Portugal.
In CorreiodaManha.pt
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