Economia portuguesa regista contracção severa no segundo semestre

A agência de notação financeira Fitch Ratings adverte num relatório publicado hoje que o desempenho do crédito hipotecário em Portugal relacionado com os títulos associados a empréstimos à habitação deverá estar sob pressão nos próximos meses, já que se espera uma severa contracção da economia nacional no segundo semestre de 2009.

A Fitch prevê que os preços nominais das casas em Portugal caiam moderadamente durante o resto deste ano. No entanto, a agência salienta que o sistema bancário português se mantém forte, rentável e bem capitalizado.

A equipa da Fitch responsável pela avaliação do risco soberano, estima que a economia portuguesa registará uma contracção anualizada de 3% em 2009 e que não crescerá em 2010. A taxa de desemprego foi de 8% no primeiro trimestre de 2009 e a Fitch projecta que aumente em torno de 20% até ao final de 2010, para valores perto dos 10%.

Nas duas últimas recessões, a taxa de desemprego em Portugal cresceu 74% (de 4,1% em 1991 para 7,2% em 1995) e 100% (de 3,9% em 2000 para 7,6% em 2005), salienta a agência de notação. Além disso, o PIB registou uma contracção anualizada de 2% em 1993 e de 0,8% em 2003, acrescenta o relatório.

A Fitch está convicta que a actual contracção económica poderá revelar ser a mais profunda que Portugal já sofreu nos últimos 15 anos. O índice de preços das casas divulgado pela Confidencial Imobiliário, que acompanha os preços pedidos para imóveis hipotecados e não hipotecados, em termos nominais, indicava um crescimento de 1% em termos anualizados em Março de 2009 em Portugal Continental. No entanto, esse mesmo índice decresceu 0,67% no primeiro trimestre deste ano face ao período homólogo de 2008, salienta o comunicado da Fitch.

Segundo esta agência de notação financeira, o valor médio dos imóveis comprados com recurso a hipoteca diminuiu fortemente, devido a uma contracção do mercado hipotecário.

A Fitch considera que a introdução de produtos não-standard nos últimos anos, bem com uma tendência altista nos rácios LTV (loan-to-value, rácio financeiro que relaciona o montante de um empréstimo com o valor da garantia prestada), afectaram negativamente o perfil de crédito das recentes transações de RMBS (residencial mortgage-backed security – títulos associados a créditos hipotecários residenciais) em Portugal.

“Apesar de a descida das taxas de juro ter beneficiado a capacidade de os tomadores de empréstimos obterem financiamento, o enfraquecimento dos fundamentais económicos e a deterioração das condições do mercado imobiliário poderão intensificar os atrasos nos pagamentos e o malparado no que diz respeito aos RMBS em Portugal”, afirmou Federica Fabrizi, directora da equipa da Fitch responsável pela análise dos RMBS na Europa, citada pela Bloomberg.

In JornaldeNegocios.pt

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