Categoria: Notícias

Aforristas recebem cada vez menos

CERTIFICADOS CAEM COM A EURIBOR

As taxas Euribor estão em queda há 55 dias consecutivos. A descida do principal indexante utilizado pelos bancos para o crédito à habitação é uma boa notícia para as famílias com um empréstimo bancário para pagar a casa mas também significa uma redução dos juros nos certificados de aforro, que caíram quase para metade em apenas três meses.

Vários produtos de poupança como os depósitos e os certificados de aforro utilizam como indexante o valor das taxas Euribor o que tem significado uma descida na rentabilidade, depois de máximos históricos atingidos pelas taxas em Outubro.

Segundo dados do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, os certificados de aforro proporcionavam juros recorde de 4,01%. Mantendo-se a tendência de queda das taxas, no primeiro mês de Janeiro, segundo os cálculos do ‘Jornal de Negócios’, a redução será de 158 pontos base. O que significa que os aforristas terão de fazer as contas do que irão receber com uma taxa de juro nos 2,42%: um novo mínimo. Com uma taxa tão diminuta é possível que as aplicações nos certificados de aforro não gerem retorno, dado que as previsões do Governo para a taxa de inflação de 2009 se fixe exactamente nos 2,5%.

Portugueses gastaram menos 56 milhões este Natal

Os sinais da crise chegam de todo o lado. E as compras de Natal com recurso aos cartões de crédito e débito confirmam que os portugueses têm menos dinheiro disponível para gastar. Nas primeiras três semanas de Dezembro foram levantados nas caixas multibanco de todo o País 1.668 milhões de euros. Menos 1% – ou 17,6 milhões de euros – do que no mesmo período de 2007, altura em que esse valor ultrapassou 1.685 milhões de euros.

De acordo com as estatísticas da SIBS – Sociedade Interbancária de Serviços, entre os dias 1 e 21 de Dezembro também o montante das compras efectuadas através de terminais de pagamento automático caiu 2%. O valor destas operações diminuiu de 1.903 milhões de euros, há um ano, para 1.864 milhões, agora, correspondendo a uma redução de 39 milhões de euros.

Desta forma, no total, os portugueses compraram e levantaram com cartão menos 56 milhões de euros em Dezembro deste ano do que no Natal de 2007.

O número de levantamentos na rede de caixas automáticas caiu também, nestas três semanas, 1% relativamente ao mesmo período do ano passado, de quase 25 para 24,8 milhões de operações. O valor médio por cada levantamento manteve-se inalterado, em 67 euros.

Por seu lado, em termos acumulados, o número de compras em terminais de pagamento aumentou 3% este mês, de 40,2 para 41,3 milhões de transacções. Tendo em conta que foram realizadas mais operações, mas em menor montante, o valor médio das compras com cartão diminuiu de 47 para 45 euros num ano.

No total dos levantamentos e pagamentos, o número de operações somou, nestas três semanas, 66,2 milhões, no valor de 3.532 milhões de euros, o que significa um aumento do número de transacções de 2%, mas uma diminuição, também de 2%, em termos de valor.

Empresas e particulares têm mais dificuldades em pagar

MALPARADO SOBE 39,8 POR CENTO

O crédito de cobrança duvidosa das famílias e das empresas atingiu o valor recorde de 5,46 mil milhões de euros no passado mês de Outubro. Uma subida de 39,8 por cento face a igual período do ano anterior que mostra como famílias e empresas têm cada vez mais dificuldade em pagar as dívidas.

Em Outubro último o crédito malparado das famílias ascendia aos 2,93 mil milhões de euros – o valor mais alto de sempre – o que representa um aumento de 31 por cento face a igual mês do ano anterior, de acordo com os dados constantes no Boletim Estatístico do Banco de Portugal ontem divulgado. O malparado das famílias tem agora um peso de 2,2 por cento no total de empréstimos concedidos. Do lado das empresas, a subida na cobrança duvidosa foi de 50 por cento, ou 845 milhões de euros, no espaço de um ano, fixando-se nos 2,5 mil milhões de euros.

No mesmo período a concessão de empréstimos às empresas aumentou 11%, para os 110,75 mil milhões de euros, enquanto no caso das famílias a subida foi de 5,9 por cento, para 132, 48 mil milhões de euros.

No crédito à habitação o malparado também atingiu um recorde, ao ascender a 1,56 mil milhões de euros. O crescimento foi de 25,3 por cento face a Outubro de 2007.

Ainda assim, esta subida não se compara com a verificada no crédito ao consumo, onde o crédito malparado disparou 75 por cento, alcançando os 755 milhões de euros.

“Não são valores que surpreendam no cenário actual de crise. E se as condições no mercado de trabalho não melhorarem, as condições de risco de agravamento da situação também serão superiores”, declarou ao Correio da Manhã Catarina Frade, do Observatório do Endividamento.

Crédito à habitação: clientes pagam mudança

Numa investigação a 19 bancos, a DECO PROTESTE contabilizou aumentos até 39% nas comissões de abertura e avaliação, entre 2006 e 2008.

Para compensar a perda de receitas com as alterações na lei dos últimos 2 anos, a maioria das instituições subiu as comissões do crédito à habitação, em especial, no início do contrato. Em 10 casos, o aumento foi superior à inflação.

Dos 19 bancos, 10 aplicam uma comissão, mensal ou anual, durante o contrato. Chamada de processamento, envio ou gestão, tem um valor médio mensal é de 1,18 euros. Num empréstimo a 30 anos, o consumidor paga € 424,80 ao banco, no final. Para a DECO esta comissão é questionável, dado que os juros do empréstimo já deviam incluir todos os custos.

Após liquidar a última prestação, é preciso cancelar a hipoteca. Este acto custa € 72 na Conservatória do Registo Predial. Alguns bancos cobram uma comissão para emitir o distrate da hipoteca, atitude que a DECO considera ilegal. Se for o seu caso, amortize o empréstimo uns meses antes. Neste caso, paga apenas 0,5% ou 2% do montante que liquida, consoante a taxa seja variável ou fixa.

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