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Seguradoras aproveitam buraco na lei para cobrar a mais nos seguros à habitação

Os portugueses estão a pagar mais do que deviam pelos seguros nos créditos à habitação, uma vez que as seguradoras não estão a actualizar voluntariamente os contratos, como prevê o diploma n.º 222/2009, que entrou em vigor em Dezembro de 2009. Só os consumidores conhecedores da legislação estão a beneficiar da redução do prémio do seguro, noticia hoje o “Público”.

O decreto-lei que obriga as seguradoras a actualizar os prémios de seguros ao valor em dívida do empréstimo à habitação só está a ser aplicado de forma automática nos novos contratos de crédito à habitação.

Exigências no acesso ao crédito vão manter-se

Dados do Banco de Portugal revelam que, depois de em 2009 as instituições financeiras terem apertado os critérios na concessão de empréstimos a particulares, esta postura vai permanecer este ano, com os bancos a apresentarem as mesmas justificações.

O Banco de Portugal garante que as instituições bancárias vão continuar a apertar os critérios na concessão de crédito.

Como causas para esse aperto de crivos, os bancos apontam a deterioração de riscos detectados e o aumento no custo do capital.

Taxas Euribor em queda há 15 sessões

As taxas Euribor voltaram hoje a recuar nos prazos mais utilizados como indexantes nos créditos à habitação dos portugueses, com a taxa a 3 meses a descer pela 15ª sessão consecutiva.

A Euribor três meses reforçou o mínimo histórico ao ceder 0,1 pontos base para 0,669%. A taxa Euribor seis meses, que é a principal indexante no crédito à habitação, também voltou a reforçar o seu mínimo histórico nos 0,965%, registando também uma queda de 0,1 pontos base.

A taxa a 12 meses ficou estável nos 1,222% e no prazo de 9 meses a Euribor permaneceu nos 1,094%.

Bancos aumentam crédito ao ritmo mais elevado em nove meses e malparado atinge novo recorde

A taxa de crescimento dos empréstimos dos bancos às famílias portuguesas, em Novembro, foi a mais elevada no espaço de nove meses. Já o crédito malparado atingiu um recorde pelo segundo mês consecutivo.

De acordo com os dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal, no final de Novembro o total do crédito concedido pelas instituições financeiras às famílias portuguesas era de 136,55 mil milhões de euros. Um valor que representa um aumento homólogo de 2,8%, a maior subida desde Fevereiro do ano passado.

Este crescimento foi impulsionado pela concessão de crédito para outros fins (que pesam apenas 9,1% do total), cujo crescimento homólogo acelerou de 0,2% para 1,3%.

Bancos usam mudanças nos contratos para aumentar “spread”

Rute Braga, nome fictício, divorciou-se e decidiu ficar com a habitação do casal. Como a casa tinha uma hipoteca, teve de alterar o contrato. O banco quadruplicou-lhe o “spread” do empréstimo, aumentando-lhe a prestação.

O divórcio é apenas uma das situações que estão a levar a um aumento da margem que os bancos cobram sobre as taxas de juro dos créditos. Alargar o prazo do contrato ou mudar para taxa fixa são outras alterações que são aproveitadas para exigir um “spread” mais elevado.

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